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Arquivos Guilherme
Arantes
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O
paulistano Guilherme Arantes nasceu em 28/07/1953. Filho do médico
formado pela USP, Dr. Gelson Lima Arantes e Hebe Planet
Martuscelli, bibliotecária e professora de línguas, tem duas irmãs:
Ana Cristina, professora universitária e Heloísa, formada em medicina. Aos 5 anos Guilherme Arantes já tocava cavaquinho. Foi muito influenciado pelo pai que gostava muito de música, comprava discos e apreciava músicos regionais, como Paulo Vanzolini. Aprendeu piano com 6 anos de idade. Na adolescência integrou o grupo Os Polissonantes que tinha como baixista o ator Kadu Moliterno. Mas o primeiro trabalho profissional com registro em disco e shows foi o Moto Perpétuo - em 1974 um único LP foi lançado pela gravadora Continental, produzido pelo jornalista Moracy do Val (ex-"Última Hora" e que lançou o grupo "Secos & Molhados"). O show de estréia do Moto Perpétuo foi no Teatro 13 de Maio, em São Paulo, no mês de novembro. Depois o grupo foi desfeito já que Guilherme desejava fazer um trabalho mais ligado à música popular. Arantes também trabalhou com a produção de jingles e vinhetas para os estúdios Pauta e Vice-Versa. A arquitetura chegou a empolgar Guilherme Arantes, durante um tempo, mas acabou por abandonar o curso em 1975, trancando matrícula na FAU, de São Paulo, para se dedicar à música.
A carreira solo deu início a partir, então, de 1975, quando apresentou
uma fita com suas músicas em várias gravadoras. Em 76, surgiu o
convite da Som Livre que se interessou especificamente por
Meu
Mundo e Nada Mais que
tinham lançado na novela "Anjo Mau", como
tema do personagem Nice, vivido pela atriz Susana Vieira. Guilherme
Arantes passou a ser transformado numa espécie de ídolo nacional pelo
rádio e TV, após a gravação de um compacto com a música-tema da
novela. A balada estourou nas paradas de sucessos de todo o Brasil e
veio o primeiro LP. O jovem cantor e compositor tinha 23 anos mas as músicas
do disco tinham sido compostas em sua adolescência. A
Cidade e a Neblina, por exemplo, foi composta com 17 anos. Do mesmo
disco, estourou no rádio Descer a Serra e Cuide-se Bem (novela
"Duas Vidas"). Além
da Som Livre passou pelas gravadoras Wea, CBS/Sony, EMI-Odeon e PlayArte.
No ano 2000, o músico mudou-se para Camaçari (BA), onde fundou a ONG "Planeta
Água" e passou a produzir seus próprios discos em seu estúdio. O
primeiro foi um disco instrumental "New Classical
Piano Solos" - lançado em Nova Iorque e distribuído pela Sony Music.
Em 2003, de volta à Som Livre "Aprendiz" trouxe
mais um tema de novela "Casulo" (Agora é Que São Elas). Em agosto de
2007 lançou "Lótus", novo disco produzido em
seu estúdio "Coaxo do Sapo", com distribuição da Som Livre.
Entre 1982/83, Guilherme Arantes chegou a bater o recorde em arrecadação
de direitos autorais, superando Caetano Veloso, Chico Buarque, Rita Lee
e Jorge Benjor. Na lista do ECAD ele comparecia com mais de três músicas
em execução - Pedacinhos, Brincar de Viver,
Lindo Balão Azul e Labirinto.
Desde então Guilherme Arantes vem colecionando sucessos, atravessando
altos e baixos, como muitos artistas da MPB - fato comum atualmente no
meio musical, constantemente bombardeado por modismos comerciais.
Mais detalhes sobre cada trabalho, imagens e as músicas ao longo dos
anos, podem ser conferidos no ítem Discografia,
na página do fanzine, mantida pelo Fã-Clube GA Registro.
O FIC - "Festival
Internacional da Canção" promovido pela Rede Globo em 1970, foi a
primeira incursão solo de Guilherme Arantes num festival, quando inscreveu
duas músicas - uma delas Purus
Paralelo VII, recusadas na fase de pré-seleção. Também fez
participações com o grupo Moto Perpétuo no "Festival de Águas
Claras".
Em 1981 a expectativa do público não foi correspondida pelo júri de
138 pessoas que deu a vitória a Purpurina,
composição do gaúcho Jerônimo Jardim, defendida por Lucinha Lins.
Planeta
Água de Guilherme Arantes, mesmo classificada em segundo lugar
foi o grande sucesso do festival "MPB-Shell-81" e teve grande execução
nas rádios de todo o Brasil. Lucinha Lins - ''Hoje é fácil lembrar o episódio Purpurina, mas, naquele momento, eu não tinha a menor consciência do que estava acontecendo. Não sentia nada, fiquei completamente anestesiada. Foi uma catarse, as pessoas enlouqueceram. No dia seguinte, eu tinha manchas pelo corpo todo porque o público me atirava aqueles abanadores e, no final das contas, parecia que eu tinha sido desenhada com caneta azul. Quando vejo esse teipe é constrangedor, minha cara aparece toda retorcida'', lembra Lucinha, que, mais tarde, ouviu de Augusto César Vanucci, produtor do festival, que nem os jurados acreditavam na vitória de Purpurina, o que gerou duas recontagens de votos. ''Tenho paixão por aquela música, mas admito que foi uma zebra. Sei que o problema não era comigo. Nunca duvidei do meu talento.'' Guilherme
Arantes manteve uma conduta irrepreensível no que diz respeito à
aceitação do resultado oficial, quando recebeu o prêmio das mãos de
Zé Ramalho. Um comportamento que, a julgar por uma de suas composições,
"Aprendendo a Jogar", faz parte de sua filosofia de vida:
"nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a
jogar". Em
1982, Guilherme Arantes chega a final de mais um festival, o "MPB-Shell
82", trazendo uma canção romântica bem no estilo do intérprete que a
defendeu, Cauby Peixoto. Ria de
Mim ganhou o prêmio de melhor arranjo da noite e Cauby o de melhor
intérprete do festival. A grande vencedora foi Pelo
Amor de Deus com Emílio Santiago.
Já foram 24 músicas de
Guilherme Arantes inseridas em telenovelas da Rede Globo: Amanhã
("Dancing' Days"), Deixa
Chover ("Baila Comigo"), Um
Dia Um Adeus ("Mandala"), Ouro
("Sassaricando"), entre outras. Algumas compostas ou adaptadas
especialmente para a trama da novela, como Raça
de Heróis ("Que Rei Sou Eu?"), Fio
da Navalha ("Partido Alto") e Sob
o Efeito de Um Olhar ("Vamp").
Guilherme Arantes faz uma música contemporânea que desconhece limitações. Tem uma visão bastante ampla dos horizontes da música pop. As influências são diversas. Vão do som dos Beatles, Rolling Stones, ao rock progressivo de grupos que fizeram ótimos trabalhos como Yes e Emerson, Lake and Palmer. No Brasil, influências do tropicalismo, Chico Buarque, a bossa-nova de Tom Jobim ao som dos grandes músicos mineiros: Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Flávio Venturini.
As
músicas de Guilherme Arantes são consagradas não apenas em sua voz
mas também nas de outros intérpretes da MPB. Em 1973, aconteceu o
primeiro contato. A manequim e atriz Bíbi Vogel,
se lançava como cantora e letrista. Negociou com a Som Livre a
gravação de um compacto duplo com
Amor
de Hora Marcada, Mofo, Anúncio Classificado e Daniel.
As três primeiras com letra dela e musicadas por Guilherme Arantes, que
tinha 19 anos, na época. O compacto saiu com duas músicas e se tornou
grande raridade entre colecionadores. Bíbi Vogel mudou-se para Buenos
Aires, Argentina, dando continuidade à carreira artística. No Brasil
criou a ONG Amigas do Peito. Faleceu no dia 03/4/2004. Leia
homenagem.
Outros nomes e grupos importantes que gravaram músicas do Guilherme foram: Claudia Telles, Gang 90, Biafra, Ana Belém (Espanha), Hugh Masekela (trompetista sul-africano), Quarteto em Cy, Jessé, Cauby Peixoto, Belchior, Ney Matogrosso, Luiz Ayrão, Sandra Sá, MPB-4, Fafá de Belém, A Cor do Som, Vanusa, Maria Bhetânia, Zizi Possi, Joanna, Leila Pinheiro, Eliete Negreiros, Emilio Santiago, Barão Vermelho, Os Cariocas, 14 Bis, Flávio Venturini, Verônica Sabino, Ná Ozetti, Pena Branca & Xavantinho, Nenhum de Nós, Klébi, Sandy & Jr, Chitãozinho & Xororó, Trovadores Urbanos, Claudinho e Buchecha, Banda Eva, Paulo Ricardo, Blitz, Martn'ália, Isabella Taviani, Carla Visi, Zezé Di Camargo & Luciano, Fat Family, Zé Ramalho, Max Viana e o grupo Cidade Negra. O "Fanzine Lance Legal" disponibiliza uma lista completa e catalogada com todos os nomes de grupos e cantores que gravaram composições de Guilherme Arantes.
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